O que está acontecer com o risco de dívida pública portuguesa faz recordar a tragédia do Rei Édipo, de Sóflacles. Quanto mais Édipo procura fugir à profecia, mais próxima a profecia está de se concretizar. Quando o Rei de Tepas, pai de Édipo, conhece a profecia (seu próprio filho iria cometer parricídio e contrair matrimónio com a mãe), faz por abandoná-lo num lugar ermo. Por mero acaso, o mesmo pastor encarregue do sacrifício acaba por entregar o menino ao Rei e Rainha de Corinto, que o criam como filho. Uma vez adulto, Édipo conhece a profecia. Os seus pais adoptivos são os únicos que reconhece como pai e mãe e, para se isentar da maldição, toma a resolução de fugir de imediato de casa. Encontra então alguém no caminho que lhe impede a passagem. Édipo defende-se e acaba por matar, sem o saber, o seu verdadeiro pai. Acaba também depois por derrotar a Esfinge e conhece aquela que viria a ser a sua mulher, de quem terá 4 filhos. Essa mulher, viúva quando Édipo a conhece, é nada mais do que a sua verdadeira mãe. No auge da tragédia, quando a mãe descobre que casou com o filho cega-se a si própria para não conseguir sequer reconhecer o filho/marido no Inferno e suicida-se de seguida. Édipo também tem o propósito de colocar fim à vida mas, temendo encontrar a mãe no outro mundo, opta por se exilar de todos os prazeres e de qualquer tipo de conforto, morrendo várias vezes até morrer.Etiquetas: Justiça
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Entre tudo o mais que foi dito pouco depois da morte, no dia 30 do passado mês de Outubro, de Claude Lévi-Strauss, esse grande homem não deixou de apontar a falta de coerência do modelo que queremos impôr aos outros, para lá daquilo que os outros são e que pretendem ser. Uma citação da sua obra "Raça e história", ilustra bem o que pretendo dizer:As grandes declarações dos direitos humanos também possuem esta força e esta fraqueza de enunciar um ideal que se esquece demasiado frequentemente do facto de que o homem não realiza a sua natureza numa humanidade abstracta, mas em culturas tradicionais nas quais as mudanças mais revolucionárias deixam subsistir franjas inteiras que se explicam em função de uma situação estritamente definida no tempo e no espaço. Preso entre a dupla tentação de condenar experiências que o chocam efectivamente, e de negar diferenças que não compreende intelectualmente, o homem moderno entregou-se a inúmeras especulações filosóficas e sociológicas para estabelecer vãos compromissos entre estes pólos contraditórios e justificar a diversidade das culturas, ao mesmo tempo que tenta suprimir aquilo que ela conserva, para ele, de escandaloso e chocante.
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Tal como o povo galego, o povo português tem fama de ser um povo sofredorUm século volvido, confirma-se apenas a parte do "povo sofredor e resignado". A raiva mais terrível é a dos bravos, não a dos mansos.
e resignado, que tudo aguenta protestando apenas de uma forma passiva.
No entanto, com povos desses é preciso agir com cuidado. A raiva mais
terrível é a raiva dos mansos.
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A eleição e a confirmação dos governantes ou dos que possam vir a governar,
são, em geral, actos plebiscitários; e porque unicamente se pode votar a propósito da ocupação de posições com poder decisório e não acerca de directrizes para a decisão futura, a eleição democrática realiza-se aqui mais em forma de aclamação do que de discussões públicas.
Jurgen Habermas, Técnica e Ciência como "Ideologia",
Edições 70, p.113
Dava agora jeito ter alguém conhecido que tenha apanhado a gripe no início do mês passado. Alguém, imunizado, a quem pudéssemos dar a mão, beijos, trocar umas palavras sem máscara. Esta gripe, só por existir, apesar de benigna, desumaniza, retrocede mais que qualquer proibição.Etiquetas: Notícias
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