Temas jurídicos e actualidade burocrática
Entre tudo o mais que foi dito pouco depois da morte, no dia 30 do passado mês de Outubro, de Claude Lévi-Strauss, esse grande homem não deixou de apontar a falta de coerência do modelo que queremos impôr aos outros, para lá daquilo que os outros são e que pretendem ser. Uma citação da sua obra "Raça e história", ilustra bem o que pretendo dizer:As grandes declarações dos direitos humanos também possuem esta força e esta fraqueza de enunciar um ideal que se esquece demasiado frequentemente do facto de que o homem não realiza a sua natureza numa humanidade abstracta, mas em culturas tradicionais nas quais as mudanças mais revolucionárias deixam subsistir franjas inteiras que se explicam em função de uma situação estritamente definida no tempo e no espaço. Preso entre a dupla tentação de condenar experiências que o chocam efectivamente, e de negar diferenças que não compreende intelectualmente, o homem moderno entregou-se a inúmeras especulações filosóficas e sociológicas para estabelecer vãos compromissos entre estes pólos contraditórios e justificar a diversidade das culturas, ao mesmo tempo que tenta suprimir aquilo que ela conserva, para ele, de escandaloso e chocante.
Etiquetas: Direitos Humanos, Personalidades, Sociedade

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