15.8.11

Especialização

Deter uma especialidade é uma mais valia e uma garantia de conhecimento e de domínio de uma determinada área do saber.

Será que ainda é assim?

Especialização é saber cada vez mais sobre cada vez menos. A especialização é o contrário de generalização. Um artesão é um generalista, um proletário um especialista. Quatro homens que dominam um processo de fabrico de algo fazem menos que quatro homens especializados em cada uma das fases desse processo de fabrico.
A especialização é assim condição de crescimento e de desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, é uma defesa contra a mediocridade. Se nem todos terão capacidade para dominar o processo de fabrico, a especialização assegura pelo menos lugar em alguma fase mais simples desse processo.

Um problema da especialização é a repetição.
Bem vistas coisas não é bem um problema. A repetição, a rotina num determinado procedimento dá a garantia de diminuição significativa de erros e omissões.
A repetição só é um problema se uma mudança se impuser, ou se se pedir que algo seja criado em substituição de algo decadente ou que caiu em desuso. É um problema porque a especialização tem a ver com produtividade. Não tem a ver com a criatividade. O que se pede a um especialista é que adira a um sistema convencional e domine uma pequena parte, não que o reinvente.

Sabemos que algo está a mudar quando alguém nos diz que é necessário que cada homem seja uma empresa, uma marca, que a mais valia de cada um é a sua versatibilidade, a sua convertibilidade... a sua criatividade. E sabemos isso porque o sistema anterior era dominado pela procura de especialistas e não de generalistas. Quando um especialista passa a ser um desempregado e um generalista uma mais valia, há um mundo que está a ruir e outro bem mais exigente a emergir.

Deter uma especialização é uma valia? Talvez não.

O mundo da advocacia é um bom exemplo. Um advogado especialista é uma contradição nos termos. O direito está de tal forma uniformizado e contém uma tal quantidade de remissões, que é impossível dominar uma parte sem ter começado por dominar com perícia o todo. Dominar ou perceber o todo exige anos de estudo, um cultura humanista e clássica, experiência de vida e tempo suficiente de prática. O que implica justamente começar por se educar para ser um generalista e não limitar-se logo à partida com uma especialidade.
Quando um advogado com menos de 40 anos lhe disser que é especialista em algo, desconfie de imediato. Faça exatamente o oposto do que costuma fazer.

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